
Família - Tarcila do Amaral
Tem dias que as pessoas em volta da gente resolvem tirar o dia para lhe atormentar sobre o processo. É normal, elas estão acostumadas à outro estilo de vida e muitas delas se sentem inseguras – e até traídas – de ver seus filhos, namoradas, irmãs, escolhendo um caminho totalmente diferente do seu.
No começo você se passa pelo filho rebelde. Se zanga por eles não entenderem, briga, grita, esperneia. Bem criança mimada mesmo. Daí vem a calmaria – sua, não deles. Deixa eles falarem, ignora, dá uma de filho-fantasma. Minha mãe vivia dizendo que minha casa era hotel/restaurante/lan house. Só ia pra lá dormir, tomar banho, comer e usar o computador. Depois que você já cansou de ouvir e de ignorar – e já se entende melhor dentro do processo – geralmente você vai pro debate. Às vezes até paga de filho ofendido.
Tentar conversar francamente com o seu pai, sua mãe, seu primo é difícil. Mas a gente vai conseguindo. Até hoje lembro do dia que o Jota (meu pai) falou pra mim que finalmente entendeu que esse é o meu trabalho. E minha mãe dizendo que vai tentar me ajudar daqui pra frente também foi massa. Mas eles mesmos esquecem as próprias promessas depois um tempo. Ontem mesmo levei um sermão por “só pensar em trabalho e deixar de lado a vida social”. Ok, eu admito, não vejo meus amigos mais do jeito que eu via... Também não tenho mais muita paciência para as voltas sem ponto algum que fazíamos no shopping.
É engraçado, porque muita gente pensa que os “antis” são nossos “inimigos”. Mas o que eles falam – só FALAM, não fazem – não nos atinge. Pode ter soado clichê, ou qualquer coisa do tipo, mas é verdade. O que as pessoas mais próximas de ti pensam ou falam é o que conta. Pode ter soado emo, ou coisa do tipo, mas é verdade. Às vezes chega num ponto que o debate se torna desgaste. Melhor tirar um dia, ficar com essa pessoa, pra ela entender que você é o mesmo. Só se casou com outra pessoa – essa comparação é perigosa, me lembra “estou casada com Jesus”, rs.
Então, sem papo de fanatismo, sem escravidão pra cima de mim, ou “disciplinados demais”. Se eu estou no processo hoje, é porque eu quero [e ponto!].

Nesses dias eu tenho ouvido muito duas músicas do Marcelo D2, do seu último CD, o “A Arte do Barulho”. Algumas partes me lembram o processo e vou até colocar aqui algumas partes da música para entederem. E o link de download logo embaixo.
“(..)Poucos querem ir à luta e levantar da cama;
Nada como ter o luxo depois de sair da lama;
Diz o dito popular, ‘morre o homem fica a fama’.
Coisa melhor: Lutar e conquistar!
Correr atrás do sonho pra depois vibrar”
“Todos tiveram quinze minutos por aqui;
O que no RAP a gente chama de ‘wannabe’;
Wannabe: você querer ser o que não é;
O que nos olhos de Garrincha é tudo Zé”
“Até entra na guerra, mas não escolhe o lado;
O típico ‘laranja’ que é usado!
Fala sério, como consegue dormir sossegado?
Fala sério, viver sem deixar nenhum legado;
Não quero cultura inútil, quero algo de verdade;
Sabedoria, dividir e não repartir a cidade”
- Fala sério, Marcelo D2 (Veja a letra inteira aqui)
“Pensei mais de uma vez tentando encontrar, às vezes
falta o chão isso não vai me derrubar, são pedras no
caminho em prol da evolução, a tempestade passa e tudo
volta ao seu lugar.”
- Minha Missão, Marcelo D2 (Veja a letra inteira aqui)
- Clique aqui para baixar as duas músicas.
[Só pra deixar claro: o que no rap se chama de wannabe, aqui a gente chama de forfun] ... Dêxa desse!